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Recebo-te com flores,
abraço-te em luzes,
entrego-te meus sonhos,
escritos e descritos
em cada frase sentida.

⊰Marcia Mattoso⊱

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SER CRIANÇA

 
Pique-esconde, pula corda,
dono da rua, amarelinha
vou brincando, vou brincando,
eu e minha netinha.
Os filhos já cresceram
e pensam que são gente grande
não sabem o quanto é importante
ter uma alma vibrante.
Livre, como o vento no rosto
na corrida de bicicleta,
ou pelo simples gosto
de viver uma aventura secreta.
Leve, como o riso suave
de uma criança que brinca,
pula, canta e dança,
mesmo que muita sede sinta,
continua e não se cansa.
Logo a vida vai mostrar,
eles vão se encontrar
e com sua alma serena
viver tudo que há.
E eu?
Eu quero mais é brincar,
brincar de ser criança
pois minha alma assim é,
viver a vida a dançar
na eterna esperança
de continuar a ser menina
mesmo sendo mulher.

Marcia Mattoso

sábado, 3 de outubro de 2009

RETRATOS URBANOS

Me vejo completamente encantada e apaixonada por 'Sampa" e em especial pela Avenida Paulista e acabei por escrever (segundo meu amigo, o poeta César magalhães Borges) a minha primeira crônica, uma crônica urbana. Legal! Gostei da experiência, pois até já li essa crônica no microfone no Bardo Batata, estou evoluindo, aos poucos, graças a essa terra de ninguém, terra de todos!


AVENIDA PAULISTA

Caminhando, longa avenida, plana e de largas calçadas. Noite, carros, luzes.
Numa esquina, a música que um garoto toca na guitarra, grita desesperadamente. Coitado, que horrível! Não toca mal, mas desafina o tom e desafia o som.
Casais de todos os tipos, meninos que se agarram, meninas que se beijam na boca, um coroa e uma garotinha (será pelos seus belos olhos?), peruas empetecadas em altos saltos, homens que se desengravatam pedidindo por liberdade.
Sexta-feira, happy hour que se prolonga noite afora, madrugada adentro. Ciclistas voam e skatistas divertem-se em manobras radicais. Mesas nas calçadas e lá nas beiradas, fumantes pagando pelo pecado do seu vício, pobres mortais ! Em rodinhas de bate papo, alguns buscam companhia, outros buscam solidão num copo de ilusão.
Alguém vem oferecer um brinco, é um artesão poeta que se empolga, declama sua vida e não reclama sua sina. Artistas se encontram, a vida desacelera, os carros, os passos, a rua muda de ritmo diante da lua e assim segue a noite na paulicéia...
Desvairada? Como nunca! Sempre!

Marcia Mattoso


DOMINGO NA PAULISTA

Dia preguiçoso...nublado, mas não chuvoso. Frente ao parque, barracas e badulaques, muita gente, muita bagunça, muita sujeira e confusão. Um lixo diferente, desses que vem de gente que para, gente que come e joga tudo no chão, em um canto qualquer, sem remorso pelo que vier junto com a próxima chuva.
Atravesso a rua e tropeço em algumas cadeiras. Na esquina uma mulher vende cosméticos em uma carriola, logo em seguida, sobre um pano no chão, dragões de papel (ou serão dinossauros?), saltam-me diante dos olhos.
Mais adiante, uma cigana com sua mesa improvisada em um caixote, cheia de brilhos e cores, tenta ler para alguém o futuro e alguns amores (ou serão dores?).
Continuo a caminhada, carros de latas de óleo, modelos antigos, feitos à mão com cuidado e paciência. Ao lado, um grafiteiro esborrifa seus sprays sobre papéis, mostrando que esta é a sua arte, seja onde for, seja do modo que for.
E de arte em arte, sigo meu passeio. Arte por toda parte, de todas as formas, em todos os lugares. Vejo a obra de um artista pela enésima vez, em uma única semana vi, revi, tornei a ver, por tantas vezes que nem sei. As luzes vistas de longe em contraste com as cores suaves, vibrantes!
"Cenas da vida de um pintor."
Sinto-me caminhar entre nuvens e encantar-me por Deuses que parecem querer sair da tela para me tocar. Tenho que voltar, sair deste transe hipnótico pois a galeria vai fechar, subo a escadaria e continuo a romaria.
Um rapaz sem camisa e fones nos ouvidos passa ao meu lado voando sobre patins e ainda envolvida pelo toque dos Deuses, não presto atenção em nada e continuo a caminhada, vou por rumo até ser parada por uma palavra: "Poesia?".
Volto a olhar e vejo um casal de poetas sentados em um degrau com um pequeno livro nas mãos (produção independente) onde colocaram seus poemas e suas vidas. Compro um livro e converso com eles, ela é também artesã, trabalha com a palha do buriti, um casal como nunca vi, felizes com sua arte e partilhando cada um dos seus momentos com doçura e ternura. Trocamos idéias, e-mails, figurinhas. Voando, retorna o rapaz dos patins e salta na esquina me trazendo de volta para vida.
Então sigo para a Casa das Rosas, onde a poesia faz a sua moradia em versos e prosas...

Marcia Mattoso


SEMANA NA PAULISTA

Gente que vem,
gente que vai,
corre, entra e sai,
movimentos maquinais
nas rotinas matinais.
Homens com seus paletós
tristes de dar dó,
presos em gravatas
que mais parecem
algemas baratas.
Mulheres elegantes,
perfumadas, radiantes,
parecem ter saído
de alguma revista de moda,
de saltos altos e maquiadas
(mas já parecem cansadas!)
Na correria do dia a dia
todos mascaram alegria.
Chega a hora do almoço,
"Onde tem um fast food, seu moço?"
Comem com pressa,
sobra tempo
para uma breve conversa.
Novamente correria,
continua o dia,
no mesmo ritmo
e sem nenhuma harmonia.
Chega o fim da tarde,
botecos lotados,
cervejas geladas,
conversas fiadas,
beijos molhados.
Prévia para um novo dia
que voltará
com a mesma alegria,
agonia, rotina.

Marcia Mattoso

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